CNN Brasil revela conversa entre Onyx e Osmar Terra na manhã de hoje em que discutem saída de Mandetta *
abril 09, 2020
* CNN Brasil
O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal
Osmar Terra, conversaram na manhã desta quinta-feira sobre a substituição do
ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a mudança da política do governo
de enfrentamento ao coronavírus no Brasil.
A CNN ouviu a conversa após ter telefonado às 8h33
para Terra. O ministro atendeu ao telefonema, nada falou e não desligou, o que
possibilitou que o diálogo de pouco mais de 14 minutos fosse ouvido.
No trecho inicial da conversa, Terra defende a mudança da
política do governo. "Tem que ter uma política que substitua a política de
quarentena. Ibaneis (Rocha, governador do Distrito Federal) é emblemático. Se
Brasília começa a abrir... (Mas) ele está com um pouco de receio. Qualquer
coisa que fala em aumentar...", disse fazendo uma analogia de como as pessoas
estão, mesmo com a restrição, saindo às ruas: "Supermercado virou
shopping".
Para ele, a política do atual ministério da Saúde "não
está protegendo o grupo de risco" e que uma ideia é estabelecer uma
política especial para os municípios onde há asilos.
Ambos fazem ainda projeções sobre número de mortos no Brasil
pelo COVID-19. Onyx estima que deve chegar a 4 mil mortos. Terra acha que fica
"entre 3 e 4 mil". "Vai morrer menos gente de coronavírus do que
da gripe sazonal." Ele também cita São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza
como os locais onde deve estar concentrada a restrição de circulação de
pessoas.
Ambos começam, então, a falar mais especificamente de
Mandetta.
Onyx: "Eu acho que esse contraponto que tu tá
fazendo..."
Terra: "É complicado mexer no governo por que ele tá..."
Onyx: "Ele (Mandetta) não tem compromisso com nada
que o Bolsonaro está fazendo."
Terra: "E ele (Mandetta) se acha."
Onyx: "Eu acho que (Bolsonaro) deveria ter arcado (com as
consequências de uma demissão)..."
Terra: "O ideal era o Mandetta se adaptar ao discurso do
Bolsonaro."
Onyx: "Uma coisa como o discurso da quarentena permite tudo. Se eu
tivesse na cadeira (de Bolsonaro)... O que aconteceu na reunião eu não teria
segurado, eu teria cortado a cabeça dele..."
Terra: "Você viu a fala dele depois?"
Onyx: "Ali para mim foi a pá de cal. Eu já não falo com ele
(Mandetta) há dois meses. Aí acho que é xadrez. Se ele sai vai acabar indo para
a secretaria do Doria."
Terra: "Eu ajudo, Onyx. E não precisa ser eu o ministro, tem mais
gente que pode ser."
Onyx é do DEM, mesmo partido de Mandetta. Ele começou o
governo como ministro da Casa Civil, mas neste ano acabou sendo deslocado para
a Cidadania. É, porém, um dos aliados mais fieis do presidente. Foi ele que
desde o início se entusiasmou com o projeto político de Bolsonaro.
Em 2018, promoveu reuniões com parlamentares para coletar
apoios ao então candidato. Onyx é muito próximo aos filhos do presidente, o
senador Flávio, o deputado federal Eduardo e Carlos, vereador pelo Rio de
Janeiro. Também é próximo ao ministro da Educação, Abraham Weintraub. É
próximo, portanto, ao que se convencionou chama "ala ideológica" do
governo, um núcleo que nos últimos meses foi perdendo espaço para os militares,
mas que manteve grande influência com o presidente e com sua militância nas
redes sociais.
Já Terra é deputado federal pelo MDB. Deixou o ministério da
Cidadania após algumas queixas do Palácio do Planalto, mas principalmente para
que Bolsonaro pudesse abrigar Onyx, a quem tem uma grande dívida por ter sido
dos primeiros a acreditar e a se empenhar no seu projeto presidencial.
Ambos têm um projeto político conjunto no Rio Grande do Sul.
A ideia predominante é que Terra seja o candidato ao governo gaúcho em 2022.
Esse contexto político ajuda a explicar também porque Terra
se aproximou do Palácio do Planalto nesta crise do coronavírus. Seu discurso é
alinhado ao que o presidente Jair Bolsonaro tem defendido: flexibilização do
isolamento, foco das políticas nos grupos de risco e investimento na
hidroxicloroquina.
Mas o que a conversa de ambos mais deixa claro é que a saída
de Mandetta continua a ser algo ainda aventado no entorno do presidente Jair
Bolsonaro. Procurado, Terra disse que não ia comentar porque se trata de uma
conversa privada. Onyx não se manifestou.
1 Comentários
Canalhas. Vão matar muito mais que 4000 miseráveis.
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