Comentário do leitor

setembro 12, 2008

O leitor assuense Augusto César envia correspondência eletrônica para o Rabiscos. Ele se mostra indignado com o transporte coletivo em Natal.

Leia abaixo na íntegra. Sem nada tirar ou por.

"Me chamo Augusto César Aquino Tavares, 20 anos, brasileiro, solteiro, assuense, moro em natal há mais ou menos três anos e meio e me encontro revoltado! Nesses três anos e meio que vivo em Natal, já passei por muitas situações difíceis, especialmente, em relação à questão financeira, que inclui, entre minhas despesas diárias, passes estudantis. Passes esses que têm, acompanhando a onda absurda de aumentos, se tornado cada vez mais caros. Do fim do ano pra cá, minhas despesas com transporte têm se tornado cada vez maiores (se não me falha a memória, o preço das passagens de ônibus subiu três vezes desde que moro aqui) e hoje, voltando da faculdade me deparo com uma matéria de um dos jornais da cidade que fez com que eu parasse e pensasse: "pra quê?" Além do aumento do preço das passagens, outro problema me assola a mente cada vez que me dirijo para uma parada de ônibus: "Será que serei assaltado?" A quantidade de assaltos à ônibus tornou-se insustentável. Já ví assaltos à ônibus ocorrem a 40, 50 metros da casa de um amigo, quando conversávamos na calçada da casa dele. À poucos dias a população natalense se chocou com um assalto a um ônibus que culminou com a morte de uma passageira. Até hoje a noite eu me perguntava: "onde está a polícia?!", agora, me pergunto: "onde está o sentimento de humanidade?!" Soube, por intermédio do jornal, que a Defesa Social, montou um plano de defesa, no qual pediu a colaboração dos empresários das empresas de transporte público da cidade do Natal para que, durante trinta dias, enquanto a Defesa Social acionava o governo (para que o mesmo cobrisse as despesas com o transporte dos PM's) fossem colocados em cada ônibus, das linhas mais críticas, dois Policiais Militares. Ao que, prontamente, o senhor Ângelo Cândido, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Natal respondeu: "Não temos condições de conceder nem um dia". Eu gostaria de saber, senhor Ângelo, quantas vidas valerá a ganância de vocês, já não basta uma pessoa ter morrido dentro das linhas de ônibus que vocês deveriam manter seguras? E agora que surge uma solução, o que custa você ceder trinta dia para proteção daqueles que PAGAM pelos seus serviços? Então, porque vocês aumentam tanto o preço das passagens de ônibus, e o sistema de transporte público continua a ser exatamente a mesma coisa? (porque, sinceramente, não têm segurança, os ônibus não estão todos equipados com sistema de vigilância e a frota continua a mesma, pois o tempo de espera é o mesmo desde que eu peguei o primeiro ônibus em Natal.) e se o problema é pagar, NÓS PAGAREMOS, pagaremos as passagens de cada polícial que subir em um ônibus para defender-nos, através de nossos impostos, com nosso dinheiro suado, que ganhamos porque temos que PAGAR a vocês, para que nos levem a nossos locais de trabalho! Mas a pergunta que mais me dói é a seguinte: "E se fosse sua filha, essa passageira que morreu? Será que o policiamento receberia a gratuidade?" Acho que sei a resposta, mas graças a deus, você e os seus não necessitam de transporte público, não seguem pra parada de ônibus mais próxima pensando: "Será que vai acontecer? Será que dessa vez não serei eu?" Espero que você Ângelo, não me escute, sinceramente, espero que não. Mas gostaria que cada natalense que se encontra tão chocado ou revoltado quanto eu nesse momento, levante-se e lute pelos seus direitos, pelo direito de se locomover com segurança, de saber, que por mais um dia conseguirá chegar em casa, sem medo de um assaltante que pode subir no mesmo ônibus que você já na próxima parada. Por vocês estudantes cujos pais moram longe e que perdem noites de sono preocupados com seu bem-estar. Não falo de direitos, falo de CIDADANIA, ÉTICA, MORALIDADE, conceitos esses que se perdem a cada dia, graças a pessoas como você, Ângelo. Vocês políticos que tanto querem se mexer para ajudar a campanha política uns dos outros, parem e me ajudem a conseguir esse que é, sim, um DIREITO MEU! E possa ser que jamais eu o alcançe, mas saberei que fui mais longe que muitos, e cheguei até aqui!"

1 Comentários

  1. Concordo com Augusto, é um absurdo não ter segurança nos ônibus. Já não basta todos os impostos que pagamos ao governo e a tarifa da empresa de ônibus?
    Se o Estado e o empresários não resolverem o problema, Natal não será mais ponto turístico, a violência tomará conta da cidade e viveremos numa guerra civil.

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