Associação reage a piada de ‘mau gosto’ do presidente Bolsonaro
maio 20, 2020A Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afrebras) divulgou nota hoje para repudiar a "piada de mau gosto" que o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez ontem em live nas redes sociais. Em defesa do uso da cloroquina no combate à Covid-19, Bolsonaro ironizou: "Quem é de direita, toma cloroquina; quem é de esquerda, tubaína".
No comunicado divulgado hoje, a Afrebras lembrou que a piada foi feita no mesmo dia em que o Brasil registrou 1.179 mortes causadas pela covid-19. Confira trechos do comunicado:
"A Afrebras repudia a infeliz declaração do presidente Jair Bolsonaro ... no mesmo dia em que o país registrou, pela primeira vez, mais de mil mortes por coronavírus em 24 horas".
"A entidade defende que o governo, em vez de politizar o uso do medicamento, deve acabar com as regalias fiscais milionárias concedidas a multinacionais de bebidas na Zona Franca de Manaus, para amenizar o momento de crise econômica agravada pela pandemia no país."
No texto, a Afrebras lembra ainda que representa "mais de 100 indústrias de bebidas regionais no Brasil, entre as quais os produtores de tubaína"... "Boa parte das fábricas regionais está se mobilizando para fazer doações de alimentos e álcool em gel a comunidades pobres para tentar diminuir os impactos da crise. A entidade destaca que vários hospitais ou leitos de hospitais de campanha poderiam ser construídos com o dinheiro da farra de benefícios fiscais".
Ainda no comunicado, o presidente da associação, Fernando Rodrigues de Bairros, reforçou pessoalmente a crítica a Bolsonaro pelos benefícios oferecidos a multinacionais do setor atuando o Brasil, citando nominalmente Coca-Cola, Ambev e Heineken. "Se o presidente Bolsonaro, de fato, se preocupa com o Brasil, agora é a hora de acabar de vez com a concessão de benefícios fiscais para multinacionais na Zona Franca de Manaus e reverter o dinheiro para o combate ao coronavírus". E mais: "A revogação do decreto poderá representar uma economia de quase R$ 2 bilhões aos cofres públicos."
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