MPF quer manter ministro como réu em ação por danos morais coletivos
agosto 05, 2019
O Ministério Público Federal (MPF) se posicionou pela
manutenção do ministro da Educação, Abrahan Weintraub, na lista de réus da ação
civil pública (ACP) por danos morais coletivos decorrentes de condutas
praticadas desde que ele assumiu a pasta, em abril deste ano. Além do ministro,
a União também foi incluída como réu na ACP, que trata das declarações
referentes às universidades públicas.
A União e a defesa do ministro apresentaram contestação na
qual relacionam oito casos que justificariam a retirada de Weintraub do polo
passivo da ACP. No entanto, o MPF esclareceu em sua réplica – assinada pelo
procurador da República, Emanuel Ferreira – que tais precedentes tratam de
ações movidas por particulares e com contextos bastante diferentes.
No caso da ACP relacionada às universidades, o autor da ação
– o Ministério Público Federal – possui o dever constitucional de proteger o
patrimônio público. Caso a ação se voltasse unicamente contra a União, observa
a réplica, uma possível condenação traria prejuízo ao poder público, até que
uma eventual ação regressiva fosse movida pela União contra o ministro.
Entre as condutas de Weintraub que são alvo da ACP estão
afirmativas como a de que universidades que, “em vez de procurar melhorar o
desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”.
Para o MPF, a fala demonstra “clara vontade discriminatória por parte do réu,
pois as universidades inicialmente retaliadas pelo MEC (UFF, UFBA e UnB)
atingiram ótimo desempenho”, com base em rankings de avaliação do ensino
superior, como o Times Higher Education.
Em outra ocasião, durante reunião com reitores e membros da
bancada parlamentar do Rio Grande do Norte, ele disse que o serviço de limpeza
na Ufersa, UFRN e IFRN – ameaçados pelos cortes nos orçamentos - poderiam ficar
a cargo dos centros acadêmicos e dos diretórios centrais dos estudantes. Além
de tal medida ser ilegal, o MPF destaca que a “proposta parte da premissa
inafastável de que, para Sua Excelência, os respectivos alunos são desocupados,
não realizando a contento as atividades de ensino, pesquisa e extensão a ponto
de ostentarem tempo livre para, ilegalmente, exercerem tarefa que cabe à
Administração”.
Para o MPF, as condutas do titular do MEC foram discriminatórias,
não estando protegidas pela liberdade de expressão, pois mancham a honra e a
imagem pública dos professores e alunos.
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