Justiça atende pedido do MPRN e decreta indisponibilidade de bens de deputado e de servidora ‘fantasma’
agosto 08, 2018
O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) conseguiu
que a justiça potiguar decretasse a indisponibilidade de bens do deputado
Nelter Lula Queiroz e de uma servidora ‘fantasma’ da Assembleia Legislativa,
Kadydja Rosely, até o valor de R$ 1.018.825,71.
A determinação do desembargador Ibanez Monteiro reforma
decisão anterior de primeira instância, que tinha sido proferida pela 4ª vara
da Fazenda Pública de Natal e atende a um recurso interposto pelo MPRN.
O Ministério Público ajuizou ação civil pública de
responsabilização por atos de improbidade administrativa para apurar a prática
de atos atribuídos aos réus de 2005 até a presente data. Na ação, o MPRN
apontou que a dupla desviou recursos dos cofres da Assembleia por meio do
“cheque salário” e transferências bancárias destinados a servidores inseridos
fraudulentamente na folha de pagamento. O objetivo era obter vantagem de cunho
patrimonial em benefício próprio e de terceiros.

Kadydja Rosely, que constava na folha de pagamento da ALRN,
segundo apurou o MPRN, residia a 3.755 km de Natal, em Foz do Iguaçu (PR), onde
possuía vínculo formal de trabalho com a Associação Educacional Iguaçu desde
2009 (entre diferentes outros vínculos de trabalho) e registro junto ao
Conselho Regional de Psicologia do Paraná desde agosto de 2005 – além de ter
casado com pessoa nascida e domiciliada na cidade paranaense.
Tal condição torna impossível a prestação de serviço como
analista legislativa junto à ALRN, cargo efetivo ocupado por ela desde 1998 e
cuja última remuneração foi no valor de R$ 14.832,77. Após diversas diligências
investigatórias, mediante requisições de documentos, pesquisas em bancos de
dados e escuta de testemunhas, com a finalidade de angariar elementos que
pudessem esclarecer a verdadeira situação funcional de Kadydja Rosely, restou
demonstrado invariavelmenelternte que ela jamais prestou qualquer tipo de
serviço à ALRN. Ela inclusive pediu desligamento da faculdade em que dava
aula (que integra a Associação Educacional Iguaçu) em março de 2016, um mês
após a disponibilização dos nomes dos servidores da ALRN no seu portal da
transparência.
Nesse sentido, o deputado estadual Nelter Queiroz foi o
responsável pela manutenção de Kadydja Rosely na relação de pagamento da casa
legislativa, para o recebimento de remuneração sem que existisse qualquer
contraprestação. Vale dizer que era de seu inteiro conhecimento a condição de
“fantasma” da servidora, pois era lotada em seu gabinete. A gravidade da
conduta evidencia-se quando o deputado, em documento anexado aos autos, informa
que a servidora cumpria expediente regular no setor de lotação.
Para o MPRN, toda essa construção demonstra a má intenção e
a finalidade de favorecimento, mediante a utilização de recursos públicos para
“presentear” determinadas pessoas, afastando-se total e indisfarçadamente do
interesse público, sendo as atribuições do cargo de deputado estadual
empregadas para satisfazer interesse integralmente particular.
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