Ministério Público recomenda que Caern suspenda venda de água a ‘pipeiros’ em Caicó

setembro 23, 2015

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público Estadual (MP/RN) em Caicó enviaram uma recomendação à Caern para que a companhia suspenda a venda avulsa de água nos pontos de captação localizados na cidade e direcione todo volume para a rede pública de abastecimento.

Atualmente a venda avulsa ocorre sem controle sobre quantidade ou destinação, geralmente a donos de carros-pipa, e parte chega a ser revendida à população que sofre com o rodízio no abastecimento da Caern.

Conforme a recomendação conjunta, a venda para esses compradores particulares deverá ser suspensa enquanto a concessionária não for capaz de atender suficientemente a rede doméstica de usuários. O documento encaminhado à direção, à gerência regional e à chefia do escritório da Caern em Caicó estabelece um prazo de dois úteis, a contar de seu recebimento, para que os representantes da companhia informem as medidas adotadas.

Uma vistoria realizada pelo procurador da República, Bruno Lamenha, que assina a recomendação junto com o representante da 3ª Promotoria de Justiça de Caicó, constatou que a venda avulsa de água a particulares é feita sem limite da quantidade e independente da destinação. Essa água, comprada pelos ‘pipeiros’, chega a ser revendida a moradores que estão sem abastecimento direto da Caern, por preços até dez vezes maior.

Donos de carros-pipa chegam a cobrar entre R$ 20 e R$ 40 por metro cúbico de água, enquanto pagam à Caern R$ 4 pela mesma quantidade. Informações da companhia dão conta de que 1,17 milhão de litros foram vendidos a compradores particulares avulsos, somente nos primeiros 21 dias deste mês.

A suspensão da venda avulsa já havia sido solicitada pela própria gerência regional da Caern à direção da companhia, por conta dos prejuízos à rede doméstica e inclusive porque a entrega da água nas partes mais altas de Caicó se dá através de carros-pipa da própria concessionária. Essa entrega está sofrendo atrasos devido ao ‘engarrafamento’ de carros-pipa particulares que abastecem nos dois únicos pontos de captação.




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