Moradores em Linda Flor divulgam nota de repúdio contra processo de desapropriação
maio 18, 2026Moradores da comunidade Linda Flor, em Assú, divulgaram uma nota pública manifestando preocupação e indignação com o processo de desapropriação que pode atingir áreas da comunidade rural.
A nota em nome de Maria da Salete Oliveira Dantas e Eduardo Carlos Dantas Galvão, manifesta “nossa profunda tristeza, indignação e enorme preocupação diante da forma como vem sendo conduzido o processo de desapropriação que ameaça atingir nossa propriedade e toda a comunidade”.
Ainda na nota tem que “seguiremos firmes na defesa de nossa propriedade, de nossos direitos e, principalmente, da comunidade de Linda Flor. Essa luta não é apenas patrimonial. É uma luta pela preservação da dignidade humana, da história de dezenas de famílias, da força econômica da Várzea do Assú e do direito de permanecer ligado à terra que representa parte essencial de suas vidas”.
Finalizando a nota tem: “Linda Flor não está sozinha. E enquanto houver esperança, fé e justiça, continuaremos lutando”.
Confira a nota na íntegra:
Eu, Maria da Salete Oliveira Dantas, juntamente com meu filho, Eduardo Carlos Dantas Galvão, proprietários de terras na comunidade de Linda Flor, em Assú/RN, vimos a público manifestar nossa profunda tristeza, indignação e enorme preocupação diante da forma como vem sendo conduzido o processo de desapropriação que ameaça atingir nossa propriedade e toda a comunidade.
Linda Flor sempre representou muito mais do que uma área de terra. Aquelas terras fazem parte da história da nossa família, da memória construída ao longo de gerações e de um vínculo afetivo que jamais poderá ser reduzido a números, documentos ou interesses administrativos. Mesmo não residindo na comunidade, sempre mantivemos nossas raízes ligadas àquele lugar, acompanhando de perto a vida das famílias que ali vivem, trabalham e construíram suas histórias com dignidade e esforço.
É impossível não sentir dor ao ver moradores simples e trabalhadores vivendo diariamente sob medo, insegurança e sofrimento, sem saber se amanhã ainda terão suas casas, suas plantações e o direito de permanecer no lugar que sempre chamaram de lar.
Nos causa ainda maior desapontamento perceber a mudança de postura do próprio IDEMA, órgão que reconheceu oficialmente os inúmeros problemas envolvendo esse processo. O próprio Estado admitiu a existência de riscos à legalidade, insegurança jurídica, conflitos judiciais, possíveis irregularidades administrativas e graves impactos sociais causados às famílias atingidas. Mais do que isso, foi reconhecido, inclusive pela Assessoria Jurídica do órgão, que existiam alternativas possíveis para cumprimento das obrigações ambientais sem a necessidade de impor tamanho sofrimento à comunidade de Linda Flor.
A continuidade dessa desapropriação representa não apenas um abalo emocional para as famílias envolvidas, mas também um impacto financeiro e social extremamente grave para toda a região de Assú, especialmente para a Várzea. Linda Flor integra uma área historicamente ligada à produção, ao trabalho rural e à subsistência de diversas famílias que dependem diretamente da terra para sobreviver. O enfraquecimento da comunidade compromete a circulação de renda, afeta pequenos produtores, trabalhadores rurais, comerciantes e toda uma cadeia econômica que movimenta a região.
A Várzea do Assú sempre teve papel fundamental na economia local, sendo marcada pela força do homem e da mulher do campo, pela produção agrícola e pelo sustento de inúmeras famílias. Retirar famílias de suas terras significa desestruturar uma realidade construída há décadas, gerando consequências sociais profundas, aumento da insegurança econômica e o enfraquecimento de comunidades inteiras que ajudam a manter viva a identidade rural e produtiva do município.
Diante de tudo isso, é impossível compreender como, mesmo após o reconhecimento oficial dessas falhas e da existência de alternativas menos gravosas, o processo de desapropriação continua avançando, mantendo famílias inteiras em permanente estado de angústia e incerteza.
Nos sentimos profundamente decepcionados com essa condução. Esperávamos do Estado sensibilidade, coerência e compromisso com a justiça social. Esperávamos respeito às famílias, aos proprietários e à história construída naquela comunidade ao longo de tantos anos.
Apesar da dor e das dificuldades, seguimos acreditando na união de forças da comunidade, dos proprietários, dos trabalhadores rurais, dos amigos de Linda Flor e de todos aqueles que compreendem a importância humana, histórica e social daquela terra. Essa luta não pertence apenas a uma família. É uma causa coletiva, construída pela força de pessoas simples que se recusam a abandonar suas raízes e sua dignidade.
Também seguimos sustentados pela nossa fé em Deus, que nos dá força para permanecer de pé mesmo diante das dificuldades e das injustiças. Confiamos em São José, padroeiro da comunidade de Linda Flor, símbolo do trabalho, da humildade e da proteção das famílias. E confiamos em São João Batista, padroeiro de Assú, tão presente na fé e na identidade do nosso povo. Que Deus e nossos santos padroeiros nos concedam sabedoria, serenidade e coragem para enfrentar esse momento tão difícil, sem jamais perder a esperança e a disposição de lutar pelo que é justo.
Ainda assim, não iremos desistir.
Seguiremos firmes na defesa de nossa propriedade, de nossos direitos e, principalmente, da comunidade de Linda Flor. Essa luta não é apenas patrimonial. É uma luta pela preservação da dignidade humana, da história de dezenas de famílias, da força econômica da Várzea do Assú e do direito de permanecer ligado à terra que representa parte essencial de suas vidas.
Linda Flor não está sozinha. E enquanto houver esperança, fé e justiça, continuaremos lutando.
Assú, 16 de maio de 2026.
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