MPF apresenta ação contra José Agripino
maio 28, 2018
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou na justiça federal
no Rio Grande do Norte com uma ação de improbidade administrativa contra o
senador José Agripino Maia (DEM) e o empresário José Adelmário Pinheiro Filho,
o ‘Léo Pinheiro’, ex-presidente da OAS. O processo trata do recebimento de
quase R$ 1 milhão em propina, pelo parlamentar, em troca de auxílio à
empreiteira, responsável pela construção do estádio Arena das Dunas. A obra foi
erguida em Natal para a Copa de 2014 por um preço superfaturado em R$ 77
milhões.
Em razão do foro por prerrogativa de função, a denúncia
contra o senador sobre o mesmo esquema teve de ser apresentada pela
Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), que em dezembro
decidiu pelo seu recebimento (tornando-o réu sob acusação de corrupção passiva
e lavagem de dinheiro). Somente então os autos foram remetidos à Procuradoria
da República no RN para as providências no âmbito civil da improbidade
administrativa em primeira instância.
A ação de improbidade impetrada no Rio Grande do Norte pede
a condenação dos dois réus por enriquecimento ilícito, com a perda dos bens ou
valores envolvidos, no total de R$ 904,2 mil; perda da função pública;
suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos; pagamento de multa de até
três vezes o valor do acréscimo patrimonial, e proibição de contratar com o poder
público, pelo prazo de dez anos.
Entre 2012 e 2014, José Agripino recebeu no mínimo R$
654.224 por meio de depósitos fracionados em sua conta e, pelo menos, outros R$
250 mil disfarçados em “doações eleitorais” ao Diretório Nacional do DEM,
presidido por ele. Em sua delação, o doleiro Alberto Youssef confirmou ter
enviado quantias em dinheiro a Natal (R$ 3 milhões entre 2011 e 2014), para
atender a “interesses” da OAS, que na época só possuía o estádio como obra de
grande porte no estado. Os depósitos para o senador foram exatamente em datas
próximas à vinda dos emissários do doleiro.
A principal atuação de Agripino em prol da empreiteira foi a
ajuda dada na liberação de parcelas do financiamento do BNDES para a obra, em
2013. Naquele ano, essa liberação dependia de um aval do Tribunal de Contas do
Estado (TCE-RN) quanto ao projeto executivo da arena. Caso o tribunal apontasse
sobrepreço ou superfaturamento, as parcelas seriam suspensas.
A OAS, no entanto, não havia apresentado ao TCE o projeto
executivo completo e, dessa forma, não havia como o tribunal atestar a
regularidade. Léo Pinheiro, então, solicitou a intervenção do senador e este
chegou a reunir, em seu próprio apartamento, o relator do processo no TCE junto
com representantes da empresa e do Governo do Estado.
O tribunal potiguar nada comunicou ao banco, nem ao Tribunal
de Contas da União (TCU), e os repasses do financiamento continuaram ocorrendo
normalmente. Somente em 2016 a área técnica do TCE-RN analisou os elementos
apresentados pela OAS e constatou sobrepreço e superfaturamento totalizando R$
77.532.187,35.
Durante a operação Lava Jato, foram resgatadas mensagens
trocadas entre o senador e o empresário tratando de encontros, troca de
presentes e até mesmo a solicitação de uma aeronave para fins particulares pelo
parlamentar. Os dados telefônicos comprovam 124 chamadas entre os dois, de 2012
a 2014. O MPF reforça que “os elementos da investigação mostram que se tratava
de relacionamento baseado em troca de favores e benefícios espúrios”.
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